Postado por Ricardo Gaioso, do Lacoste Evolução Francesa

“Fotografar não para certificar-se do visível, mas para criar outras dimensões possíveis do espaço-tempo. Olhar e registrar não a aparência do entorno, mas a vertigem dos desejos, dos temores, dos sonhos segredados. Fotografar não o que os olhos veem, mas a imaginação criadora, onírica, irracional, subjetiva. Instaurar a dúvida, a dialética e a ironia onde reinava a aparência volátil de realidades fortuitas. Fotografar, inventar um mundo e, assim, representar o homem em todos os seus matizes.”
É com esse parágrafo que os curadores Eder Chiodetto e Jean-Luc Monterosso abrem a exposição “A Invenção de um Mundo” no Itaú Cultural. As obras questionam o conceito de realidade e ficção no registro fotográfico e abrem um painel de discussão do estágio atual da fotografia. São trabalhos assinados por artistas que, à revelia do registro do que existe, escolheram a construção de cenas, de personagens para inaugurar outros mundos. A fotografia como documento cede lugar a narrativas subjetivas. Ela não mais é um registro do real. Ela cria realidades e, ao fazê-lo, resvala em teatro, cinema, pintura.
Os trabalhos apresentados são um recorte do acervo da Maison Européenne de La Photographie, Paris (MEP), que guarda importante coleção da fotografia contemporânea mundial. O Itaú Cultural, em homenagem ao Ano da França no Brasil e em parceria com a MEP, traz ao público brasileiro alguns dos principais nomes dessa fotografia, por vezes denominada pós-moderna, que transgride os códigos tradicionais da imagem, se apodera das novas tecnologias e reinventa tudo aquilo que são lembranças, sonhos e desejos.
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