"Muitas pessoas se reverem a mim como alguém que traz o design de vários cantos do mundo para o Brasil, mas para mim o meu trabalho tem muito mais a ver com o bem estar das pessoas do que com esse glamour."
foto por Ludovic Carème
Houssein Jarouche é mais do que um empresário: representando as maiores marcas de móveis do mundo através de suas duas lojas de design, Volume B e Micasa, ele é o responsável por escolher o que muita gente estará usando para decorar suas casas nos próximos meses. E, sendo um bom amante de design, ele sempre faz as coisas certas.
O amor pelo design é tão grande que, em 2011, Jarouche apresentou sua primeira exposição. As peças eram criadas, basicamente, por fita adesiva: a compulsão que começou em casa, consertando móveis de um jeito criativo e elegante, acabou virando arte. Tem coisa mais Unconventional Chic do que isso?
Quais pessoas te inspiram?
Peter Saville, que é um designer gráfico britânico. Ele faz um trabalho incrível com cores e formas que me inspira muito, desde a época dos discos do New Order.
Por que você inspira as pessoas?
Talvez por sempre defender os meus princípios e mostrar que o meu trabalho tem essência, acho que isso sempre inspira as pessoas. Muitas pessoas se referem a mim como alguém que traz o design de vários cantos do mundo para o Brasil, mas para mim o meu trabalho tem muito mais a ver com o bem estar das pessoas do que com esse glamour. Tento descobrir os valores e a personalidade da pessoa para ver qual é o melhor produto que vai se adequar à vida e à casa dela. Hoje também estou muito focado no design infantil, já que tenho um filho um pequeno. Isso me inspira muito porque acredito que o futuro do design brasileiro está nas crianças. São elas tem o poder de mudar o cenário do design no Brasil, que não vê acontecer nenhum movimento significativo desde os anos 60.
Como a França te inspira?
Paris é uma cidade que eu adoro. Lá temos muitas referências de “repair manifesto”, um movimento de design que surgiu na Holanda baseado na reconstrução de materiais. Além disso, acho que toda a parte cultural e urbana de Paris é muito inspiradora. A França consegue ser inspiradora em todas as suas formas, para qualquer tipo de pessoa.
O que te inspira a ser Unconventional Chic?
Acho que design tem muito isso de misturar o inusitado com o chic. Acho muito legal quando as pessoas têm essa consciência de que elas tem capacidade de adaptar e criar as coisas de alguma forma. Isso tem muito a ver também com o meu jeito. Costumo muito usar roupas de brechó com outras peças de marca.
O que você levaria do Brasil para a França?
A alegria, sem dúvida.
E o que você traria da França para o Brasil?
Seria a conscientização em relação à arquitetura urbana, a forma com que eles conseguem preservar projetos históricos. Se eu pudesse trazer isso para o Brasil, com certeza deixaríamos de ver por aí essa selva de pedra neoclássica.
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