Evolução Francesa é selo de curadoria da LACOSTE que evidencia
o que há de fresh em moda, música e arte no eixo cultural França-Brasil.

Gringo Cardia

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Gringo Cardia

"Tento sempre trazer alegria e cor para as coisas que eu faço, porque é exactamente assim que eu enxergo a alma brasileira."

foto por Bob Wolfenson

Gringo Cardia

"[Meu estilo é] Neutro, quero ser invisível. Sou um olho que capta as coisas ao meu redor, por isso não quero que me vejam."

foto por Bob Wolfenson

Gringo Cardia

"Os artistas pop me influenciaram muito, principalmente Andy Warhol. Ele trouxe essa ideia de que tudo pode ser arte e que todos podem ser artistas."

foto por Bob Wolfenson


Gringo Cardia faz de tudo um pouco: é artista multimídia, museólogo, cenógrafo, diretor de arte, de clipes, de teatro e de desfiles de moda. Mas ele não se contenta “só” com isso, também sendo responsável por um projeto social de arte e tecnologia, o Spectaculum: “Eu, Marisa Orth e Vik Muniz nos unimos para ensinar a parte técnica de nossas profissões aos jovens da carentes do Rio de Janeiro. Depois, ajudamos a inserir eles no mercado de trabalho”.

Na hora de se vestir, Gringo Cardia ativa o seu próprio jeito de ser Unconventional Chic: mesmo com estilo, ele tenta ser neutro, invisível – “sou um olho que capta as coisas ao meu redor, por isso não quero que me vejam”.

Quais são as pessoas que inspiram você?
Quando era mais novo, uma pessoa que me inspirava muito era o David Bowie. Todo o estranhamento que ele causava foi uma coisa que me fascinou muito desde o começo. Até hoje me inspiro muito nele. De uma forma geral, os artistas pop também me influenciaram muito, principalmente Andy Warhol. Ele trouxe esse ideia de que tudo pode ser arte e todos podem ser artistas. O fato de você fazer alguma coisa bem faz de você um artista. Essa troca de valores, essa desmistificação me fascina muito. Jean Cocteau, mais do que sua pintura, também me inspirou muito pelo mistério de seus filmes. Sempre com uma coisa muito a ver com o inconsciente, misteriosa, com os símbolos da vida. Além, é claro, do grande mestre Fellini. Ele foi capaz de ver a poesia que tem cada coisa e traduziu isso de uma forma muito emocionante.

Por que você inspira as pessoas?
Tento sempre trazer alegria e cor para as coisas que eu faço, porque é exatamente assim que eu enchergo a alma brasileira. Procuro trazer o cotidiano para o centro das atenções das pessoas e com isso faço com que ele ganhe uma aura mágica. Um exemplo disso é o cenário com postes que fiz para um show do Chico Buarque. Era um ícone completamente comum, mas que acabou ganhando uma outra dimensão quando subiu ao palco.

Como você define o seu estilo?
Sou neutro, quero ser invisível. Sou um olho que capta as coisas ao meu redor, por isso não quero que me vejam.

O que é Unconventional Chic na sua vida?
Moro numa casa clássica dos anos 40, com todos os móveis de época. As pessoas chegam lá querendo encontrar uma pessoa moderna e encontram uma casa antiga. Prefiro uma casa que não se pareça comigo, gosto desse contraste. Mostra que o antigo também pode ser moderno. Agora, aos poucos, estou começando a substuir alguns móveis antigos por outros mais modernos, muito inspirado nessa pegada pop. É o caso do Getúlio, um artista de rua que faz um trabalho incrível com sucata. Agora, ele finalmente foi reconhecido, foi convidado pelo MoMA para expor e também vai fazer uma parceria com os irmãos Campana. Tenho muita vontade de lutar contra esse preconceito burro que as pessoas tem contra esse tipo de arte. Converso com muitas pessoas de fora e elas sempre falam que essa intuição popular é o grande potencial do Brasil.

Como a França te inspira?
A França foi o primeiro país lá fora que reconheceu o meu trabalho. Admiro muito esse olhar que os franceses tem para culturas diferentes da dele. Eles foram os primeiros a valorizar a cultura africana, árabe, etc. A França sempre acolheu os artistas com um respeito muito grande pela criatividade e pela diferença.

O que você traria da França para o Brasil?
A neve. Faço snowboard e todos os anos esquio nos alpes franceses.

O que você levaria do Brasil para a França?
Levaria essa expertise de praia que temos para colocar na beira do Sena. Os franceses iriam adorar!

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