"Gosto muito das pessoas que se vestem de forma subversiva. É o tipo de pessoa que sabe muito bem as regras, mas consegue quebrar todos os padrões para recriá-los de um jeito único."
foto por Ludovic Carème
Facundo Guerra é um dos personagens mais fortes da noite paulistana: depois de experimentar vários ramos diferentes, abriu o clube Vegas, na Rua Augusta, grande responsável pela revitalização da região. Com o passar dos anos, abriu três novas casas – Lions Nightclub, Z Carniceria e Volt, sempre com parceiros e sócios – e, até o fim de 2011, abre mais duas: a Yacht, voltada para o público GLS, e o Cine Jóia, casa de shows de médio porte. “Não estou fazendo isso por ego, mas porque realmente acredito nesses negócios”, diz.
Dividindo-se entre novos projetos, a paixão por cinema e motos antigas, Facundo revela com brilho nos olhos: “estou na fase mais produtiva da minha vida”. Aos 38 anos, Facundo se diz com uma doença fatal. “Descobri a velhice e por isso estou vivendo cada dia como se fosse último”.
A Rua Augusta, Unconventional Chic por si só, tem tudo a ver com o estilo de Facundo, que “gosta muito das pessoas mais subversivas. Elas sabem muito bem as regras, mas conseguem quebrar todos os padrões para recriá-los de um jeito único. Aí é que eu acho que surge o Unconventional Chic”, teoriza.
Quais pessoas te inspiram?
Recentemente fui a Nova York e vi o filme de Bill Cunningham. Não sou muito ligado em moda, mas foi um filme que me impactou muito porque tem muito a ver com a fase que eu estava. Apesar de ser um dos caras mais influentes da moda no mundo, ele vive de uma maneira completamente simples e honesta. Em um momento do filme ele fala: “não quero dinheiro porque isso todo mundo pode ter”. Isso resume o momento de desapego que estou vivendo agora. Outra pessoa que me inspira muito é o Ernest Hemingway. Apesar de ter muito dinheiro, ele vivia cada dia da sua vida como se fosse o último. Ele vivia com tanta intensidade que chegou um momento em que decidiu dar fim a sua própria vida.
Por que você inspira as pessoas?
Não tenho a pretensão de inspirar as pessoas de nenhuma forma. E eu acho que é nesse momento que a coisa se torna mais verdadeira.
Como a França te inspira?
Uma lembrança muito forte que eu tenho de lá são as prostitutas de meia idade em Pigalle. Sempre passava por ali na volta para casa e o fato de elas serem feias e gordas, mas felizes, me chamou muito a atenção. Era visível que elas se divertiam de verdade e isso me inspirava muito.
O que você levaria do Brasil para a França?
Acho que seria essa energia produtiva que o Brasil tem, quase que como um instinto de sobrevivência que faz com que as coisas aconteçam. A França é um país muito cristalizado e esse excesso de cultura faz com que os franceses nunca falem ou pensem por eles mesmos, e sim por referências, como se estivessem sempre lendo uma nota de rodapé. São Paulo, ao contrário, tem essa ideia de inacabado. É uma certa falta de memória que faz com que nós cosigamos criar e repensar tudo de uma forma muito particular.
O que você traria da França para o Brasil?
O amor pelos livros que os franceses tem.
O que te inspira a ser Unconventional Chic?
Tenho uma relação afetiva muito forte com as coisas, talvez por isso tenha tanta vontade de fazer coleções. Tudo o que tenho ou uso tem algum significado muito especial para mim. Para mim, ninguém que anda na última moda é chic. Ao contrário, gosto muito das pessoas que se vestem de forma subversiva. É o tipo de pessoa que sabe muito bem as regras, mas consegue quebrar todos os padrões para recriá-los de um jeito único. Aí é que eu acho que surge o unconventional chic.
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