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25
abr 2011

Arte, França, News

Entrevista::
Nestor Jr.

Postado por , do Lacoste Evolução Francesa

Cores e curvas que desenham formas sensuais e o inusitadas: assim é arte experimental de Nestor Jr, artista brasileiro de 27 anos que há alguns meses decidiu se mudar para o interior da França. Na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Lyon, Nestor estuda técnicas de gravuras e leva parte do brazilian way para a arte francesa. A ideia deu tão certo, que o artista já tem agendada uma exposição coletiva em collab com a Galerie 16, além de quatro mostras individuais aqui no Brasil. Entre elas estão uma em Belo Horizonte, marcada para outubro na Quina Galeria, e outra em Salvador, prevista para novembro na RV Galeria.


Nesta entrevista, Nestor nos conta um pouco mais sobre suas inspirações, técnicas, traça um panorama sobre os mercados de arte brasileiro e francês e ainda fala sobre suas expectativas para a volta ao Brasil, que acontecerá dentro de alguns meses.



Você costuma dizer que as pessoas muito feias te inspiram. Assim, você usa a arte para transformar o feio no belo. Quais outros poderes transformadores a arte representa para você?

Mais do que as coisas feias me inspirarem, eu gosto mesmo é de poder criar algum tipo de provocação dessa maneira também. Eu gosto muito do que é bonito, mas nem sempre essa beleza segue os padrões que nos querem impor diariamente. Na verdade, eu vejo beleza nessas coisas ditas “feias”.

As mulheres que eu tive como referência durante toda a minha vida, por exemplo, eram “grandes” mulheres de origem italiana que não tinham os corpos dentro do padrão de beleza que conhecemos – eu mesmo não sou lá o tipo mais padronizado que se espera de um homem (risos).

E ainda eu gosto de provocar de uma outra maneira: as “coisas feias” que a gente não pode mostrar, seja o desejo sexual, sejam palavras…essa busca do proibido, que na verdade vai além da simples provocacão que citei antes, muito mais para dismistificar, quebrar essa carapaça, naturalizar.


Senti que seus trabalhos se tornaram um pouco mais dramáticos depois de sua viagem para a França. Quais outras transformações a viagem fez sobre seu trabalho?

Na verdade não parei para fazer essa análise e acho que essa mudança só ficará mais clara para mim na volta para casa. Mas uma coisa é verdade, as referências vão mudando muito. A experiência num país com uma cultura tão diferente da nossa não tem como não tem como não acrescetar num trabalho artístico, porque a minha bagagem geralmente é traduzida para o meu trabalho.


É possível perceber uma pluralidade muito grande de técnicas e materiais em seu trabalho. De que forma essas experimentações acontecem durante o processo de criação das obras?

Esse ano eu continuei trabalhando com os materiais que eu já vinha estudando há mais tempo, especialmente com a aquarela.

Mesmo assim, comecei a experimentar aqui na França trabalhos com gravura (linogravura, monotipia, ponta seca). Pretendo estar mais focado nessas técnicas a partir do ano que vem.


Seus criações começaram com foco em moda e publicidade. Hoje você consegue transitar com muita facilidade entre trabalhos comerciais e alternativos. Qual a sua visão sobre os mercados de arte brasileiro e francês?

Na verdade a moda e a publicidade vieram depois. Quando eu ainda estava com muitas dúvidas sobre que carreira seguir, eu acabei optando por ser ilustrador, já que eu venho de uma família que nunca incentivou muito o caminho das artes. Porém, quando eu estava terminando meus estudos universitários em Publicidade e Propaganda, tive a oportunidade de mostrar alguns de meus trabalhos autorais em pequenas exposições e comecei a me dar conta de que seria possível manter uma carreira artística. Quando as coisas de fato começaram a acontecer, larguei a moda e a publicidade, mas a bagagem ficou. Hoje eu até faço alguns trabalhos comerciais quando as propostas me parecem interessantes, mas meu foco hoje é na linha autoral mesmo.

Quanto ao mercado consumidor de arte no Brasil, percebi de uma maneira muito feliz que ele está mudando. Meus compradores são estudantes, jovens do circuito artístico – teatro, artes visuais, música -, não mais apenas pessoas com muito dinheiro que querem investir. E acho que essa mudança acabou permitindo o surgimento de novos artistas. Já na França, não posso falar muito. Posso dizer que em Lyon existem infinitas galerias de todos os gêneros, espaços e ideologias, mas não saberia dizer como estão nessas questões. O fato de ter a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts aqui faz com que o número de jovens artistas seja gigantesco e isso cria uma diversidade de trabalhos incríveis.

Com tantas exposições agendadas, quais são as suas expectativas para a volta ao Brasil?

Estou morrendo de saudades dos amigos e do Brasil. A França é um lugar incrível, berço e efervescência das artes. Mas como desde antes da minha partida eu já sabia, meu lugar não é aqui. Não agora. Tenho todo um país – enorme – para conhecer e apresentar meus trabalhos. A expectativa da volta é a melhor possível.

A temporada francesa de Nestor Jr. está sendo contada no blog 33 Metros Quadrados.

Para conhecer mais de perto as obras do artista, acesse o Flickr.


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