João Brasil começou cedo. Com apenas 12 anos, já era habitué em quase todos os festivais de colégios da
Zona Sul do
Rio de Janeiro. Cinco anos mais tarde, montou a manda
Boi Zebu, que fez shows memoráveis no
Bar Empório, em
Ipanema. Depois foi morar em
Boston para estudar música na renomada
Berklee College of Music e recentemente concluiu seu mestrado em
Londres. No fim, sua vida tem sido um mashup tão inusitado quanto aqueles que costuma tocar nas pistas e em seu blog “
365 Mashups”, projeto em que produziu um remix por dia em 2010. O maior de todos ficou reservado para o último dia do ano: João produziu a faixa “
5th Batucada“, resultado entre a mistura da 5ª sinfonia de
Beethoven com a batucada do projeto
Dalailata, que serviu de trilha sonora para a queima de fogos de
Copacabana.
Apesar de morar em Londres, João representa o Brasil aonde quer que vá – e não é só no nome. Em seus shows, carrega uma bandeira verde e amarela para o palco e não economiza em playlists nacionais. Nesta entrevista exclusiva para o Evolução Francesa, o músico revela o porquê de tanta brasilidade: “eu acho que estamos passando por uma fase muito criativa e rica culturalmente. O Brasil vai ser moda como nunca foi antes no mundo. Estamos com a faca e o queijo na mão, só depende de nós globalizarmos ainda mais nossa cultura. A hora é agora”.
O 365 mashups é muito ambicioso e incrível, mas deve também ter sido bastante cansativo. Como surgiu a ideia do projeto e quais foram as principais dificuldades para que ele fosse posto prática?
Surgiu com a minha mulher me sugerindo essa ideia de brincadeira, três dias antes do ano novo. Levei a sério. A maior dificuldade foi a internet, uma vez estava num hotel sem internet em Hamburgo, com -20º do lado de fora. Outra vez fiz nove mashups em um só dia, estava indo para um lugar na Grécia sem internet. Fiz mashups em carros, trens, aviões…
O blog permitiu que as pessoas pudessem te dar um feedback. Como foi esse processo de criação coletiva? Alguém chegou a te sugerir alguma ideia que você nunca teria, por exemplo?
O feedback do público foi fundamental, não sei se teria finalizado o projeto sem a motivação das pessoas. Usei várias idéias sugeridas pelo público, um dos últimos foi com o CSS de Natal!
Você já declarou que gostaria de lançar um disco de voz e violão. Está nos planos de um dos 365 dias de 2011?
Haha! Essa idéia já passou, foi só um momento de explosão mesmo.
Recentemente você fez a trilha para os fogos do Réveillon em Copacabana. Você já tinha feito algo parecido?
Nunca tinha passado por nada igual na minha vida, foi maravihoso ver dois milhões de pessoas ouvindo minha música. O Flávio Machado, da empresa SRCOM, me chamou para fazer a trilha dos fogos e show de luzes. Ele me passou umas referências e eu fiz uma colagem de música de orquestra finalizada pela batucada do Dalailata – projeto social/musical que tira as crianças das ruas, recicla instrumentos do lixo, coordenada pela Regina Café – com a 5ª sinfonia do Beethoven. Ficou bem emocionante.
O fato de morar em Londres provavelmente faz com que você consiga ver os movimentos culturais brasileiros com um certo distanciamento. Como você avalia a nossa cena musical hoje?
Eu acho que estamos passando por uma fase muito criativa e rica culturalmente no Brasil, os artistas estão mais universais, misturando mais sotaques e referências, fazendo de nós mais globais. O Brasil vai ser moda como nunca foi antes no mundo, estamos realmente entrando na década de ouro. Estamos com a faca e o queijo na mão, só depende de nós globalizarmos ainda mais nossa cultura. A hora é agora.
Além ter o Brasil no seu próprio nome, você também costuma carregar sempre uma bandeira para o palco e arrasar na funk music. Existe alguma outra coisa nossa que você gostaria de levar para o mundo conhecer?
Gostaria que o mundo conhecesse o Brasil musical como um todo: baile funk, tecnobrega, forró (eletrônico ou não), baião, carimbó, samba, batucadas, maracatu, guitarrada, axé, lambada, coco…
Foto © “I Hate Flash” na Bootie Rio
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